Data: 06-04-2026
Mês: Abril
Ano: 2026

No 4º trimestre de 2025, a rendibilidade das empresas ― medida pela relação entre os resultados antes de amortizações, depreciações, juros e impostos (EBITDA) e o total do ativo ― foi de 9,3%, valor igual ao registado no período homólogo.

A rendibilidade do ativo das empresas privadas também se manteve nos 9,4%, mas apresentou evoluções distintas entre sectores de atividade.

A rendibilidade do ativo diminuiu nos sectores dos transportes e armazenagem e das indústrias (-0,9 e -0,7 pp, respetivamente). No sector dos transportes e armazenagem, essa evolução refletiu a diminuição do EBITDA e o aumento do ativo. A diminuição do EBITDA deveu-se ao facto de os fornecimentos e serviços externos e os gastos com pessoal terem aumentado mais do que os rendimentos. Na indústria, observou-se um decréscimo do EBITDA, refletindo quer a diminuição da margem de refinação quer o aumento dos fornecimentos e serviços externos e dos gastos com o pessoal.

A rendibilidade das empresas públicas foi de 6,8%, mais 0,3 pp do que no período homólogo.

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(Gráfico: Banco de Portugal)

A autonomia financeira do total das empresas, medida pelo peso do capital próprio no total do ativo, foi de 46,0% no 4º trimestre de 2025, valor superior ao registado no período homólogo (+0,8 pp). Trata-se do maior valor da série (disponível desde o final de 2006). Este aumento decorreu, essencialmente, da incorporação dos resultados do ano corrente nos capitais próprios das empresas.

No final do 4º trimestre de 2025, a autonomia financeira das empresas privadas era de 46,3% (+0,8 pp do que no trimestre homólogo). Este indicador aumentou na generalidade dos sectores de atividade, exceto na eletricidade, gás e água (-0,3 pp) e nos transportes e armazenagem (-0,2 pp). As subidas mais acentuadas registaram-se nos sectores do comércio (+1,3 pp) e dos outros serviços (+1,1 pp), refletindo a já referida incorporação de resultados. No sector da eletricidade, gás e água, a diminuição da autonomia financeira resultou de um aumento do ativo superior ao crescimento dos capitais próprios, associado sobretudo ao impacto das operações de gestão de tesouraria entre empresas do grupo. No sector dos transportes e armazenagem, a redução também refletiu o aumento mais acentuado do ativo, em particular dos saldos de clientes.

A autonomia financeira das pequenas e médias empresas (PME) subiu de 45,3% para 46,3%, e a das grandes empresas de 41,5% para 41,8%. Em ambos os casos, o aumento deveu-se à incorporação dos resultados correntes nos capitais próprios das empresas.

A autonomia financeira das empresas públicas aumentou de 36,5%, no final do 4º trimestre de 2024, para 36,8% no final do 4º trimestre de 2025.

Considerando a totalidade das empresas, o peso dos financiamentos obtidos no total do ativo foi de 26,4% no 4º trimestre de 2025, menos 0,2 pp do que no trimestre homólogo. Esta diminuição decorreu de os financiamentos obtidos terem crescido menos do que o ativo.

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(Gráfico: Banco de Portugal)

O custo dos financiamentos obtidos reduziu-se de 4,9%, no 4º trimestre de 2024, para 4,4% no 4º trimestre de 2025. Esta redução refletiu a tendência de descida das taxas de juro, que se iniciou em meados de 2024, e foi transversal a todos os sectores de atividade e classes de dimensão.

A cobertura dos gastos de financiamento das empresas (medida de pressão financeira que quantifica o número de vezes que o EBITDA gerado pelas empresas é superior aos seus gastos de financiamento) subiu de 7,0 para 7,9, refletindo a redução dos gastos de financiamento e o incremento do EBITDA. O aumento foi transversal a todos os sectores e classes de dimensão.

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(Gráfico: Banco de Portugal)

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